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sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Eufemismos - Esses Palavrões...

Quando eu era “chavalo”, costumávamos jogar futebol com um deficiente lá do bairro. Era conhecido por “Carlinhos Mongolóide” e tinha um remate de pé direito à Platini.
Um dia a mãe do Carlinhos ouviu-nos a gritar: "Passa a bola oh mongo!" e veio-nos dizer que era feio chamar mongolóide a uma pessoa com Síndroma de Down. Na altura a única coisa que me preocupou foi se o Carlinhos, agora que tinha essa cena de Down, podia jogar no torneio inter-bairros da semana seguinte.
Passou-se algum tempo e um dia ouvimos os adultos a comentarem que o Carlinhos tinha "Trissomia 21". Foda-se!! Aquela merda do coiso de Down ainda vá que não vá, mas esta história de doenças com números ao barulho já era demais para a malta lá do bairro. E o resultado foi que já ninguém queria jogar futebol com o Carlinhos, com medo de apanhar uma doença estranha por tabela.
Mais tarde, quando finalmente cresci em cérebro e comecei a ler umas merdas, fiquei a saber que aquelas doenças todas com nomes foleiros não passavam de sinónimos simpáticos para o mongolismo.
Como toda a gente sabe, isto é um clássico caso de eufemismo. E como toda a gente devia saber, isso é muit’a roto.
Qual é o problema de chamar mongolóide ao Carlinhos? Depois ouço aqueles intelectualóides de esquerda (e de direita também. Os intelectualóides são todos uns conas, e não interessa de que ponto cardeal é que vêm) a dizer coisas do estilo:
- "Ah, mas utilizar esses termos depreciativos apenas serve para abalar a auto-estima e o desenvolvimento saudável da psique". Enfiem a psique onde o sol não brilha, seus falhados. Tenham a coragem de chamar as coisas pelos nomes, se não pela verdade, pelo menos pelo respeito a quem chamam essas coisas. Ou vocês acham que o Carlinhos se sente confortável quando toda a gente evita dizer o que ele é ou se passam a vida inventar nomes novos, como se tivessem vergonha daquilo que ele é? Um mongolóide e nada mais.
Mas esta “bicheza” dos eufemismos não se fica só pelo mongolismo. A nossa sociedade é a sociedade do politicamente correcto. Toda a gente tem susceptibilidades muito frágeis e qualquer palavra minimamente fora dos parâmetros “amaricados” do politicamente correcto é logo móbil para uma crise de choro e três processos judiciais.
Quando vejo alguém a descrever uma pessoa como sendo uma "pessoa de cor" até me rebentam úlceras intestinais. "Pessoas de cor"? De que cor? Isto é suposto serem os pretos? Ou os roxos? E os brancos? Branco não é uma cor? Qual é o problema de dizer que alguém é preto ou branco? Tudo bem que cromaticamente falando não é das afirmações mais correctas. Se alguém for mesmo preto é porque caiu num bidão de alcatrão, e quem for mesmo branco é muito provável que esteja na Casa Mortuária de algum hospital, mas não é prático estar a descrever o tom de azul/ roxo/ preto/ verde que a pessoa tem.
Há um eufemismo em particular que me pára a circulação: A bolada nos tomates num jogo de futebol.
Estamos a falar de um desporto que é suposto ser muito másculo, em que 22 macacos carregados de testosterona andam muito perto de andar à porrada por causa de uma bola. e há insultos a voar por todos os lados. De repente alguém dá uma “bordoada” na bola e esta vai colidir a 80 km/h com os tomates de um desgraçado qualquer. Tudo o que é gajo do público logo de imediato tem aquele movimento instintivo de proteger a “prata da casa”, mesmo sabendo que foi a do jogador que foi toda amassada, e ninguém tem dúvidas que a bola lhe acertou em cheio nos tomates.
Ninguém excepto o “deficiente” que deixaram comentar o jogo, para quem a bola acabou de acertar na “região do baixo ventre" do jogador.
Se alguma vez alguém tiver o descaramento de chamar ao meu equipamento de prazer "baixo ventre", eu vou-lhe dar umas lições de anatomia ali mesmo. Quando a minha rótula esmagar as gónadas do abusador, ele nunca mais vai trocar o nome dos meus tomates.

Se estás a ler isto e me consideras uma pessoa extremamente incorrecta, então és também um imbecil, amaricado do “politicamente correcto”